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  • Lígia Gonçalves Silva

Porque é que nos atacamos a nós mesmos?

Atualizado: 5 de Nov de 2019



Quando nos sentimos infelizes, é natural tentarmos perceber por que razão nos sentimos assim e procurarmos uma forma de resolver o nosso problema - porque é que me sinto triste? De onde vem isto? O que é preciso fazer para me libertar?. Contudo, a infelicidade, assim como a tensão ou a exaustão, não são problemas que possam ser resolvidos. São emoções que refletem estados, físicos ou de espírito, e não podem ser resolvidas, mas sim sentidas.


Quando ignoramos o facto anterior, olhamos para a infelicidade, ou para qualquer outra emoção negativa, como uma problema que temos de resolver. Para isso, utilizamos uma das ferramentas mais poderosas da nossa mente: o pensamento crítico racional. Vemo-nos num ponto - na infelicidade - e sabemos onde queremos estar - na felicidade. Então, a nossa mente entra em ação e analisa o fosso entre ambos os pontos, tentando encontrar a melhor forma de o transpor. Para isso, usa o modo Fazer, que nos ajuda a resolver problemas, a ter as coisas feitas, e que é extremamente poderoso e útil a levar-nos de um ponto ao outro. Assim, quando usamos este modo para resolver o nosso problema, o cérebro foca-se na diferença entre o nosso ponto A (infelicidade) e o nosso ponto B (felicidade), e coloca-nos questões críticas - o que é que se passa comigo? Onde é que errei? - dando início a uma série de perguntas autodestrutivas, que exige à nossa mente respostas para explicar este descontentamento.


Tenho tudo para ser feliz. Devia estar feliz. O que é que se passa comigo?

Perguntas como estas centram-nos nesse foco - como estou e como deveria estar. Ficamos enredados nos nossos pensamentos. Começamos a pensar demais, a cismar, e o nosso ânimo afunda-se. O nosso corpo reage e torna-se tenso, desanimado, e até dolorido. A nossa mente, que já estava um pouco negativa, começa a afundar-se neste desânimo e a forcar-se nas preocupações, deixando de reparar em tudo de bom que possa existir à nossa volta. Quanto mais pensamos sobre o nosso problema, quanto mais cismamos, quanto mais o tentamos solucionar, pior nos sentimos. Cismar é absolutamente inútil para lidar com dificuldades emocionais.


Como quebrar este círculo vicioso?

Não conseguimos impedir o aparecimento de memórias infelizes, o diálogo interior negativo ou o pensamento crítico, mas podemos impedir o que se segue. Podemos evitar que este círculo se alimente e desencadeie uma espiral de pensamentos negativa que nos afunda. E podemos fazer isso alterando a forma como nos relacionamos connosco e com os outros. Podemos colocar de lado o modo Fazer, que é o primeiro a voluntariar-se, e usar o modo Ser. Este modo ajuda-nos a contrariar a tendência de pensar demais, analisar demais e julgar demais. Permite-nos sair do diálogo negativo, dos impulsos e das emoções. Permite-nos olhar de cima e ver tudo à nossa volta. E quando o fazemos, vemos a vida de um lugar diferente. Deixamos de lado a necessidade de explicar e de nos libertarmos das emoções negativas e, o mais provável, é que elas se dissipem.





Bibliografia

William, Mark & Penman, Danny. Mindfulness, atenção plena. Lua de Papel, 2011.

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